Arthur S. Eddington comenta o eclipse de 29 de maio de 1919, seis semanas após ter voltado a Inglaterra nos seguintes termos:
Os dias que precederam o eclipse foram muito enevoados. Na manhã de 29 de maio houve uma forte trovoada das 10 às 11h30, uma ocorrência rara naquela época do ano. O sol aparece durante alguns minutos, mas as nuvens voltaram outra vez. Cerca de meia hora antes da totalidade, o sol apareceu de vez em quando; e quando era 1h55m poderíamos vê-lo através de uma nuvem passageira. Segundo os nossos cálculos, o tempo da totalidade deveria ter lugar entre as 2h.13m e 5s e as 2h.18m.7s, ou seja, o eclipse devia durar 5m e 2s, e foi isso mesmo que aconteceu. Passados alguns minutos após a totalidade, o sol apareceu num céu perfeitamente claro, mas isso não durou muito tempo. É provável que o desaparecimento das nuvens fosse devido ao próprio eclipse, uma vez que tínhamos notado que o céu só costumava clarear ao pôr do sol.
Foi um espetáculo maravilhoso, e as fotografias revelaram depois uma bela proeminência luminosa a uns 170 km acima da superfície do sol. Mas nem tivemos tempo de a observar. Estávamos simplesmente conscientes da estranha meia-luz da paisagem e do silêncio da natureza, quebrado pelas chamadas dos observadores, e o batimento do metrónomo a bater os 302 segundos da totalidade (do eclipse).
 
Texto de: Ana Simões e Paulo Crawford
Imagem: Cortesia do Observatório Astronómico de Lisboa.
 
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